Sindipetro ES

GESTÃO DA PERSEGUIÇÃO NA UN-ES

Uma gestão medíocre abafa denúncias. Uma gestão responsável combate o problema denunciado.

O Sindipetro-ES manifesta seu mais veemente repúdio ao desligamento da nutricionista da empresa GPS embarcada na Plataforma FPSO P-58, profissional reconhecida por defender condições dignas de trabalho para sua equipe e por cobrar o cumprimento do contrato de alimentação e hotelaria, sempre em benefício dos trabalhadores e trabalhadoras embarcados.

A demissão de uma trabalhadora que atuava na defesa da qualidade da alimentação e da humanização do ambiente de trabalho passa um recado perigoso: quem denuncia irregularidades, cobra o cumprimento do contrato e insiste na melhoria das condições de vida a bordo pode acabar sendo o alvo, enquanto os verdadeiros problemas permanecem sem solução.

O mais grave é que esse episódio ocorre justamente após anos de reclamações sobre a execução do contrato de alimentação e hotelaria na P-58. Reclamações essas que nunca foram pontuais, mas recorrentes, documentadas e amplamente conhecidas pela gestão.

O Gerente anterior, diante da insatisfação dos trabalhadores e das críticas do próprio Time de Clima, retirou do posto de enfermagem a responsabilidade pela fiscalização do contrato a bordo e criou uma estrutura específica de fiscalização, exercida atualmente pela empresa CAPCO. A expectativa era simples: fortalecer o controle do contrato e assegurar que as irregularidades fossem efetivamente corrigidas.

Na prática, porém, essa mudança não trouxe os resultados esperados.

Em vez de uma fiscalização firme e independente, a percepção de muitos trabalhadores é que foi criado apenas mais um ator nesse processo burocrático. Em diversos casos, as cobranças se resumem a solicitações de providências dirigidas à contratada, sem que os problemas recorrentes sejam definitivamente solucionados. Em outras situações, a atuação dos fiscais de bordo é vista pelos trabalhadores como excessivamente próxima da própria contratada, deixando de exercer o rigor esperado de quem deveria fiscalizar o cumprimento do contrato.

Mais preocupante ainda é o papel da Fiscalização de Terra e da Gerência do Contrato da Petrobras (SOP). Apesar da enorme quantidade de denúncias encaminhadas ao longo dos últimos anos, os trabalhadores seguem sem conhecer quais sanções efetivas foram aplicadas à empresa contratada. A categoria exige transparência: quantas multas contratuais foram emitidas? Quais valores foram efetivamente cobrados? Quantas dessas multas foram pagas pela contratada?

Se as penalidades estão sendo aplicadas, que sejam apresentadas. Se não estão, é preciso explicar por quê.

A impressão que fica é de que existe muito mais rigor com quem denuncia do que com quem descumpre o contrato.

Os trabalhadores não reclamam por capricho. Reclamam porque convivem diariamente com falta de produtos, alimentação inadequada, problemas na hotelaria e situações que comprometem sua saúde, seu bem-estar e sua dignidade durante semanas de embarque.

Nenhuma gestão séria deveria enxergar as denúncias como um problema. O problema é a persistência das irregularidades.

Quando uma trabalhadora reconhecida por cobrar melhorias é desligada, enquanto os problemas continuam se repetindo, a mensagem transmitida para bordo é clara: reclamar ou cobrar pode ter consequências.

O SINDIPETRO-ES NÃO PERMITIRÁ ESSA POSTURA DA EMPRESA!

Esse não é o ambiente que a Petrobras afirma defender. Segurança psicológica, respeito às pessoas e incentivo ao relato de irregularidades não podem ser apenas ferramentas de discursos e apresentações institucionais. Precisam ser praticados no dia a dia.

O Sindipetro-ES exige transparência sobre o desligamento dessa trabalhadora, a divulgação das medidas efetivamente adotadas para fiscalizar o contrato de alimentação e hotelaria da P-58 e a prestação de contas sobre as penalidades aplicadas à contratada.

Demitir quem lida repetidamente com problemas, não os resolve. Apenas tenta calar quem tem coragem de enfrentá-los.

SINDIPETROES EM AÇÃO

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