Os diretores Marcus Maia e Laisa Broedel do SindipetroES acompanharam de perto, no último dia 08/07/2026, as operações aéreas da Petrobras e cobraram melhorias para garantir a segurança da categoria.
Representantes sindicais dos trabalhadores e trabalhadoras da Petrobras participaram de uma visita técnica ao LOEP (Logística e Operações da Exploração e Produção) e ao Aeroporto de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, com o objetivo de conhecer de perto os processos que envolvem o transporte aéreo offshore da companhia, esclarecer dúvidas da categoria e reforçar a importância da fiscalização permanente exercida pelas entidades sindicais.
Durante a atividade, gestores e especialistas da Petrobras apresentaram detalhes sobre os procedimentos de segurança de voo, qualificação dos pilotos, treinamento das equipes de manutenção das operadoras aéreas e os investimentos em infraestrutura que sustentam uma das maiores operações aéreas offshore do mundo.
Segundo informações apresentadas na visita, a Petrobras transportou mais de 1 milhão de passageiros em 2025 e atualmente responde por aproximadamente 30% de todas as operações aéreas offshore realizadas no planeta, um volume que coloca a companhia entre as maiores referências mundiais do setor.
Segurança acima dos requisitos legais
Um dos principais temas debatidos foi a segurança operacional. A Petrobras destacou que, das mais de 100 empresas autorizadas pela ANAC a realizar transporte de passageiros por helicópteros no Brasil, apenas cinco operadoras são homologadas para atender as operações offshore da estatal.
Além das exigências regulatórias, a companhia afirmou que impõe critérios próprios ainda mais rigorosos. Entre eles está o acompanhamento de mais de 400 parâmetros relacionados ao voo e ao funcionamento das aeronaves, ampliando significativamente o monitoramento das operações.
Todas as aeronaves utilizadas no transporte offshore da Petrobras operam com características que aumentam a segurança dos trabalhadores embarcados: são bimotores, possuem tripulação dupla, sistemas redundantes, monitoramento contínuo dos dados de voo e sistemas de acompanhamento da chamada “saúde da aeronave”, permitindo identificar antecipadamente possíveis falhas ou necessidades de manutenção.
A gestão do transporte aéreo também envolve uma ampla articulação entre diferentes instituições, incluindo operadoras aéreas, ANAC, CENIPA, Marinha do Brasil e outros órgãos ligados à segurança aeronáutica.
Trabalhadores questionaram ocorrências recentes
Durante a visita, o sindicato levou questionamentos que refletem preocupações reais da categoria. Um deles tratou da percepção de segurança após ocorrências relevantes registradas nos últimos anos, como um pouso controlado na água, um evento inicialmente tratado como perda de potência e o choque de uma aeronave com a chaminé da plataforma P-57.
Em resposta, representantes da Petrobras afirmaram que todos os eventos são rigorosamente investigados e analisados para identificar causas-raiz, aperfeiçoar procedimentos, revisar treinamentos e implementar melhorias operacionais quando necessário.
Sobre os casos específicos, a companhia informou que o pouso controlado na água envolveu uma aeronave que não estava sob contrato da Petrobras. No caso da suposta perda de potência, a investigação concluiu que não houve falha mecânica da aeronave, mas sim uma oportunidade de melhoria em procedimentos de utilização do piloto automático, posteriormente corrigida.
Já no acidente envolvendo a P-57, foram identificadas oportunidades para aperfeiçoamento da iluminação dos helideques, visando aumentar a consciência situacional dos pilotos em operações noturnas, que já são restritas a situações excepcionais devido ao maior nível de risco envolvido.
A explicação apresentada reforça uma característica fundamental dos sistemas de segurança modernos: cada ocorrência gera aprendizado e resulta em novas barreiras de prevenção.
Cobrança por melhorias nas condições de embarque
Outro tema levantado foi a retirada de passageiros de determinados voos em situações de degradação meteorológica.
A Petrobras explicou que, quando as condições exigem operação por instrumentos (IFR), a aeronave precisa transportar combustível adicional para alcançar aeroportos alternativos homologados. Isso reduz a capacidade disponível para passageiros, ocasionando, em alguns casos, a necessidade de desembarque de parte dos trabalhadores que já estavam previstos para o voo.
A empresa informou que irá avaliar, junto às operadoras aéreas, a existência de aeroportos alternativos mais próximos de Vitória, o que poderá reduzir a necessidade dessa prática.
Também foi discutida a situação dos trabalhadores afetados por cancelamentos de voos e a demora na definição de hospedagem. Segundo a Petrobras, nos principais aeroportos essa responsabilidade fica sob coordenação do LOEP, que possui meta de reservar hotel e providenciar transporte em até uma hora após a confirmação do cancelamento. A companhia afirmou ainda que casos de demora excessiva devem ser informados para apuração e correção.
Luta sindical ajudou a superar o “caos aéreo”
Durante o encontro, foi lembrado que o ano de 2023 ficou marcado pelo chamado “caos aéreo”, quando a baixa disponibilidade de aeronaves provocou uma sequência de cancelamentos, atrasos e transtornos para a categoria.
Na avaliação do sindicato, a situação somente começou a mudar a partir da mobilização dos trabalhadores e da forte atuação das entidades sindicais, que denunciaram os problemas e cobraram soluções da gestão da empresa.
Hoje, segundo os dados apresentados, a disponibilidade da frota que atende o sistema Petrobras supera 85%, reduzindo significativamente os impactos operacionais e melhorando o atendimento aos trabalhadores offshore.
Fiscalização permanente em defesa da categoria
A visita ao LOEP e ao Aeroporto de Jacarepaguá demonstrou que a Petrobras opera sob padrões de segurança reconhecidos internacionalmente e mantém uma estrutura robusta para garantir a integridade dos trabalhadores que diariamente utilizam o transporte aéreo offshore.
Ao mesmo tempo, a atividade reforçou algo que a história do movimento sindical já comprovou inúmeras vezes: avanços em segurança não acontecem por acaso. Eles são resultado de investimentos, da participação ativa dos trabalhadores e da cobrança permanente de suas entidades representativas.
O Sindipetro Espírito Santo seguirá acompanhando de perto todas as questões relacionadas ao transporte aéreo offshore, fiscalizando, questionando, propondo melhorias e defendendo condições cada vez mais seguras para quem embarca todos os dias para manter a produção de energia do país.
Porque segurança não é favor. Segurança é direito dos trabalhadores e uma conquista construída com organização, mobilização e luta coletiva.
