O Sindipetro-ES vem a público manifestar profunda preocupação com a situação caótica encontrada pelos trabalhadores nas plataformas após o retorno da greve.
Os relatos técnicos apontam que, durante o período de contingência, a prioridade absoluta foi a manutenção da produção, em detrimento da segurança operacional, da integridade das instalações e da vida dos trabalhadores.
Entre os fatos mais graves relatados, destacam-se:
▪️Sistemas de proteção e intertravamento inibidos (HH e LL), sem justificativas formais adequadas nos sistemas de gerenciamento de inibições, expondo a planta de processo e os trabalhadores a cenários de falha grave;
▪️Bypass prolongado de sistemas críticos, equipamentos operando fora de condição ideal, analisadores desregulados e lógica de intertravamento do sistema de descarte de água produzida desativada;
▪️Manobras operacionais essenciais que deixaram de ser executadas durante a greve, criando um passivo técnico significativo que agora recai injustamente sobre a equipe de operação que retorna;
▪️Vazamento contínuo de gás no convés por uma junta de expansão de 16 polegadas sem a devida vedação ou com a vedação degradada com risco elevado de causar acidente, principalmente em condição de vento zero.
▪️Contaminação do sistema de abastecimento de água potável e distribuição aos camarotes, banheiros coletivos e cozinha com água do mar elevando a concentração de salinidade e impurezas acima dos valores permitidos;
▪️Ar condicionado degradado com baixa ou quase nenhuma eficiência causando enorme desconforto à população embarcada.
Fica evidente que a chamada “estabilidade” durante a greve foi artificial, sustentada por manobras mínimas, postergação de intervenções necessárias e acúmulo consciente de riscos, apenas para manter números elevados de produção e transmitir uma falsa sensação de normalidade à alta administração.
O Sindicato reforça:
👉 Produção não pode estar acima da vida.
👉 Segurança não se negocia, não se posterga e não se maquila em planilhas.
As equipes de operação, que cuidarão do retorno, não podem e não devem ser responsabilizadas por consequências decorrentes de decisões tomadas durante o período de contingência. O que está sendo visto agora é o resultado direto de uma gestão que optou por empurrar problemas críticos para frente.
ORIENTAÇÃO AOS TRABALHADORES
Diante desse cenário, o Sindipetro-ES solicita que todos os trabalhadores redobrem a atenção, sigam rigorosamente os procedimentos de segurança, registrem formalmente as anomalias, utilizem os canais oficiais (livros de turno, sistemas de segurança, relatórios e comunicações) e não se exponham a riscos desnecessários.
O Sindicato acompanhará de perto a situação, cobrará providências imediatas da empresa e não aceitará que a conta dessa irresponsabilidade recaia sobre os trabalhadores.
Nossa greve de ausência mostrou — mais uma vez — que sem os trabalhadores, a segurança entra em contagem regressiva.
Sindipetro-ES
Em defesa da vida, da segurança e da dignidade dos petroleiros.