Sindipetro ES

Resultados da primeira reunião conjunta entre Espírito Santo e Norte Fluminense

Nessa última terça-feira, 24 de março, realizamos a primeira reunião conjunta entre Espírito Santo e o Norte Fluminense para encaminhamentos da pauta dos trabalhadores offshore.

Um dos encaminhamentos trata da retomada da Brigada Petroleira em Brasília para sensibilizar a classe política acerca da precarização, terceirização desenfreada e o desmantelamento da Bacia de Campos e do Espírito Santo.

A agenda é extensa e exige um forte compromisso de todos os trabalhadores:

  1. Compromisso formal de que o Grupo de Trabalho (GT) de Efetivo não promoverá cortes de pessoal nas plataformas do Espírito Santo e da Bacia de Campos

Exigimos o compromisso formal de que o chamado GT de Efetivo não será utilizado como instrumento para redução de pessoal próprio nas plataformas do Espírito Santo e da Bacia de Campos. A diminuição de efetivo em unidades offshore representa grave ameaça à segurança operacional, à integridade das instalações e à vida dos trabalhadores, especialmente em ambientes complexos, com risco permanente e necessidade de resposta imediata a anormalidades e emergências. Não aceitaremos qualquer reestruturação baseada exclusivamente em redução de custos, sem considerar critérios técnicos, operacionais e de segurança. Plataforma não é laboratório de corte de gastos.

  1. Proibição da terceirização das funções de Técnico de Segurança nas plataformas

Reivindicamos a priorização da substituição de Técnicos de Segurança próprios que estejam de férias ou com atestados médicos por outros trabalhadores próprios nas plataformas.
A exceção não pode virar regra rotineira.
Trata-se de atividade estratégica, diretamente ligada à prevenção de acidentes, exige conhecimento profundo da unidade, identificação de riscos operacionais e atuação em situações críticas. A presença de profissionais sem vivência contínua na instalação, sem domínio das alterações permanentes da planta e da dinâmica operacional específica de cada plataforma amplia os riscos e fragiliza o sistema de segurança. Segurança operacional não pode ser tratada como atividade secundária nem submetida à lógica da precarização.

  1. Revisão dos desimplantes dos 9 trabalhadores indicados pelo Sindipetro-ES

A omissão da Petrobras diante de casos já fundamentados demonstra desrespeito com os trabalhadores e com a representação sindical. É inadmissível que profissionais que efetivamente embarcam ou possuem histórico funcional compatível com a atividade offshore permaneçam prejudicados por decisões arbitrárias, injustificadas ou sem transparência. A empresa precisa cumprir o compromisso assumido de revisar os casos de forma séria, célere e justa.

  1. Revisão imediata de todos os cortes de custos que coloquem em risco a segurança das plataformas

Defendemos a revisão imediata de todas as medidas de redução de custos que impactem direta ou indiretamente a segurança operacional das plataformas. Cortes em efetivo, manutenção, inspeção, treinamento, materiais, apoio técnico, logística, habitabilidade e condições de trabalho não representam eficiência: representam aumento do risco de acidentes. A experiência demonstra que grandes acidentes na indústria do petróleo são precedidos por decisões gerenciais que relativizam alertas técnicos em nome de metas financeiras. O Sindipetro-ES não aceitará que a busca por economia produza ambientes degradados, sobrecarga de equipes e vulnerabilidades que possam culminar em acidente grave ou fatal.

  1. Combate à precarização dos postos de trabalho e garantia de condições dignas e seguras para o exercício das atividades

Reivindicamos o enfrentamento imediato de todas as formas de precarização dos postos de trabalho nas unidades offshore, incluindo sobrecarga de tarefas, redução de efetivo, acúmulo de funções, retirada de direitos operacionais, substituição de mão de obra qualificada, improvisações organizacionais e piora das condições materiais para execução das atividades. A precarização compromete a saúde física e mental dos trabalhadores, reduz a confiabilidade operacional e enfraquece a capacidade de prevenção e resposta das equipes. Defender postos de trabalho dignos, estruturados e seguros é defender a vida, a operação e o patrimônio público.

Nosso diretor jurídico, Alex Rodrigo, ressalta: “tiramos uma agenda conjunta e, caso essa agenda não resolva os nossos problemas, combinará em uma nova greve. Em breve também realizaremos nosso seminário de greve.”

Valnisio Hoffmann, nosso coordenador geral finaliza: ” não estamos entendendo o momento nem as medidas aplicadas. Uma empresa com 110 bilhões de reais de lucro líquido no último ano não precisa fazer esse tipo de ajustes, sequer em ano eleitoral. Estamos convivendo com um enorme clima de medo e terror a bordo de nossas plataformas. Isso é inadmissível.”

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